quinta-feira, 12 de agosto de 2010
UMA CONSPIRAÇÃO EM ANDAMENTO
sábado, 7 de agosto de 2010

Audiência da Globo despenca 14,5 pontos em julho; Record cresce
Se em junho — mês que concentrou a maioria dos jogos da Copa 2010 — a Globo teve seu melhor mês do ano, com 20,3 pontos de média de audiência, o mês seguinte foi amargo. A emissora perdeu 14,5% da audiência em julho deste ano (com relação ao mesmo período de 2009).
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O PIG PAULISTA , É O MAIS LETAL, MAIS NOCIVO DO BRASIL, É O PIOR QUE SE TEM!
PT paulista quer fim da 'blindagem' da mídia a tucanos
Rede Brasil Atual
São Paulo - Ativistas e lideranças do PT de São Paulo defenderam, em encontro na noite de quinta-feira (5) no centro da capital, ações para acabar com o que chamaram de blindagem da mídia aos governos do PSDB. Para eles, os meios de comunicação do estado são os principais responsáveis pela continuidade tucana no Palácio dos Bandeirantes.
O encontro buscava detalhar propostas de políticas de comunicação para um eventual governo de Aloízio Mercadante, candidato da legenda em São Paulo. Para Aparecido Luiz da Silva, o Cidão, secretário de Comunicação do PT-SP, um dos caminhos seria adotar um modelo de distribuição de anúncios do setor público semelhante ao empregado na gestão federal. "Precisaríamos dividir o bloco publicitário com os veículos menores, do interior e democratizar a comunicação, para não passar quatro anos de raiva com a mídia falando mal da gente", sugeriu.
Para Paulo Salvador, diretor da Editora Atitude, que produz a Rede Brasil Atual, a Revista do Brasil, a Rádio e os jornais Brasil Atual, é preciso superar um patamar de ingenuidade. "A ideia de que uma boa assessoria de imprensa resolve já se mostrou equivocada, porque a mídia é destrutiva em relação às construções sociais. Não podemos acreditar que vamos mudar o país e o estado com essa mídia que não tem apreço sequer à verdade e aos fatos", criticou.
"É necessária uma tomada de consciência de que a comunicação é estratégica", insistiu. Salvador usou a articulação de 60 sindicatos em torno dos projetos de comunicação a que representa como um exemplo dessa prioridade.
"Após oito anos de governo Lula, deveríamos estar democratizando a comunicação", criticou Joaquim Palhares, diretor da agência Carta Maior. "Na América Latina, o que se vê (em termos de democracia nos meios de comunicação) é ainda pior, o que nos coloca em uma posição de fragilidade da soberania dos povos", avalia. Ele considera que sem avançar na pluralidade da mídia, "perde-se tudo em cinco anos de governo de direita", por não terem sido estabelecidas raízes das transformações junto à população.
Palhares mostrou que todos os veículos da mídia conservadora, os maiores grupos, dependem de verba publicitária do setor público. Por isso, ele defendeu que, em uma eventual gestão de Mercadante, 20% dos recursos publicitários do estado sejam destinados a criar um fundo para projetos de comunicação escolhidos por meio de editais públicos.
Essas e outras propostas colhidas no encontro, realizado instantes antes do início do primeiro debate entre os presidenciávies, poderão ser incorporadas ao programa de governo petista em São Paulo.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Símbolo da crise dos jornais do PiG: “Estadão” aos montes, jogados ao chão
Como disse Nassif em seminário do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, estima-se que de 20 a 25% da tiragem dos jornais e revistas da Grande Mídia sejam compostos por “assinantes-fantasmas”, pessoas que recebem as publicações mesmo ser pagar por elas - uma maneira que essas empresas de mídia encontraram para manter elevados os preços de publicidade em suas páginas.
por Lucas Santos
Índices de encalhe crescentes, além de representarem o prejuízo da não-venda, fazem com que o preço de publicidade cobrado pelos jornais e revistas despenquem, diminuindo duplamente a receita de seus proprietários. A “jogada” consistiria no seguinte: o IVC – Instituto Verificador de Circulação – só contabiliza como encalhe aqueles exemplares que retornam aos estoques. Dessa forma, pode se driblar as estatísticas do IVC, evitando que os jornais retornem a esses estoques; e assim se consegue manter os preços de publicidade no folhetim elevados.
Talvez as centenas – ou milhares - de jornais Estadão e Jornal da Tarde (ambos do mesmo grupo – não consegui fotografar os JT nesse dia) distribuídos gratuitamente por uma empresa de ônibus se insiram nesse contexto: a tiragem excedente de jornal pode ser repassada à empresa de ônibus, que, por atender um grande público, tem condições de escoar milhares de exemplares de jornais, todos os dias. Tudo isso dá a impressão de que a demanda pelos jornais se mantém estável, quando na verdade eles estão sendo distribuídos gratuitamente.
Pelo que averiguei junto a funcionários da empresa de ônibus, os exemplares são dados de brinde aos passageiros e, em troca, os empregados desses jornais podem viajar sem pagar passagem nas linhas que a empresa de ônibus atende.
Conforme vocês verão nas fotos abaixo, havia pilhas de jornais tanto no guichê da empresa quanto no terminal de embarque da rodoviária do Tietê (São Paulo - SP) – o que revela uma parcela dos milhares de exemplares de Estadão que podem estar encalhando.


Abaixo, revistas da Editora Abril também sendo distribuídas gratuitamente, desde que a pessoa tenha cartão de crédito. Como não uso desses cartões, não pude ter o incomparável prazer de receber uma Revista Veja – a última Flor do Fáscio. Como vemos, a coisa há de estar feia para a Abril também.

Orgia de Estadões


Se souber de mais informações, publicarei aqui no blog. Por enquanto, torne-se um seguidor e aguarde os próximos capítulos dessa decadência do Partido da Imprensa Golpista – o PiG.
domingo, 1 de agosto de 2010
TVT A TV DOS TRABALHADORES, OUSAR PARA MUDAR
Valter Sanches, diretor de Comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos e presidente da Fundação Sociedade Cultura e Trabalho, entidade responsável pela TVT, conversou, na manhã de hoje, com alguns midialivristas e blogueiros.
Compartilho os pontos que me pareceram mais interessantes.
1) Chama a atenção no projeto o fato de as preocupações não se aterem apenas a aspectos comerciais e tecnológicos. Diria que há uma preocupação filosófica bastante antenada com o novo mundo onde colaboração e reputação se tornaram palavras chaves. Ou seja, a TVT está falando em introduzir um novo modelo de fazer TV no Brasil.
A TVT, por exemplo, vai levar ao ar conteúdos produzidos a partir de celulares e máquinas fotográficas. E para que isso não se limite à produção espontânea, adquiriu e entregou oito câmeras a grupos do movimento social. Além de cinco celulares 3G que ficarão com trabalhadores que estão no chão da fábrica.
2) A grade própria vai ocupar 1h30 ao dia no início. O resto do tempo será da TV Brasil. A faixa ocupada será a das 19h às 21h, ou seja, o horário nobre. A TVT será distribuída pelo canal 46 UHF, mas já fechou um acordo com a NGT, canal 48, que das 19h às 21h também divulgará o conteúdo da TVT. Além da concessão do canal 46, já foram solicitadas 26 retransmissoras no estado de São Paulo.
3) Além de um telejornal diário de 30 minutos, outros sete programas irão ao ar nesses primeiros meses. São eles: Melhor e mais justo (debates); Bom para todos (serviços e direitos); ABCD Maior em revista (realizado pela equipe do jornal de mesmo nome e com foco na região do ABC); Boa Gente (destacando um entrevistado que dedique boa parte da sua vida à uma questão pública); Coopera Brasil (economia solidária); Click e Ligue (voltado para o desenvolvimento de redes sociais) e Memória e Conteúdo (que a partir de um banco de imagens de 4 mil horas produzidas pela TVT desde 1984 vai debater questões do país).
4) A TVT entre trabalhadores fixos e colaboradores já conta com aproximadamente 100 pessoas e um orçamento mensal de 400 mil reais. Como para conseguir a concessão foi necessário fazer um aporte de 15 milhões, a TVT tem assegurada recursos para aproximadamente 3 anos.
5) A idéia de Valter Sanches é tornar a TVT uma agenciadora de notícias e com ela criar um novo modelo de lojistica de produção, que modificaria a lógica da difusão informativa no Brasil. Até por isso a TVT já nascerá com uma plataforma web altamente colaborativa. Os telespectadores poderão, por exemplo, postar comentários sobre os programas em vídeo e não só em textos escritos. Além disso, vão eleger imagens e vídeos que irão ao ar no telejornal e em outros programas e poderão assistir e participar remotamente da discussão de pauta dos programas.
O lançamento da TVT será no dia 13 de agosto, no Centro de Formação dos Professores, em São Bernardo do Campo. O presidente Lula já confirmou presença. É ele quem vai apertar o botão que vai colocar a TV no ar. Além dos Sindicato dos Metalúrgicos de SBC, participam da Fundação que gere a TVT o Sindicato dos Bancários de SP também o do ABC, o Sindicato dos Químicos e a Apeoesp, entre outros.
Este blogueiro está fazendo figas para que de fato a TVT signifique um cavalo de pau na lógica de fazer TV no Brasil. Nem uma TV Lixo, com programas apelativos e caça-audiência, e nem uma TV Daslu, cheia de gente bonita falando de coisas que só se prestam a vender produtos. Uma TV cidadã.
O PIG NA UTI MAS AINDA RECEBE VISITAS, MESMO QUE SEJA: 'LEVE GRÁTIS'
CUIDADO! AO COLOCAR GASOLINA, VOCÊ PODE GANHAR UMA FOLHA, GRÁTIS!
Há algum tempo já disse aqui neste espaço que a Veja se utiliza desta tática de enviar revistas para a casa de ex-assinantes como forma de inflar seus números. A intenção é poder continuar anunciando ao mercado publicitário que está acima do 1 milhão de revistas por semana.
Num debate recente, Luis Nassif alertou que os jornais também estavam utilizando o mesmo procedimento. E que a queda do número de exemplares vendidos do Estado de S. Paulo guardava relação com o fato de que eles estavam arrumando a casa para vender o jornal.
Mas agora a coisa ficou ainda mais grotesca. Se enviar jornais para ex-assinantes de graça já é um procedimento que demonstra o nível da fragilidade do produto, distribuir gratuitamente jornais do dia em locais como postos de gasolina é um vexame total.
A atitude da Folha é mais uma demonstração clara de como a tal Big Mídia (filha bastarda do Big Mac e que também dá dor de barriga) está vivendo uma das suas crises mais profundas.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Ex-sócio da ANJ acusa organização de antidemocrática
Ex-sócio da ANJ acusa organização de antidemocrática
A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que representa os grandes jornais do país e vive clamando pela liberdade de expressão, foi acusada por um de seus integrantes, a Empresa Jornalística Econômico S.A. (Ejesa) de se esquivar “de defender os direitos do ser humano, os valores da democracia representativa, a livre inciativa, e, também, a livre concorrência”.
Responsável pelos jornais Brasil Econômico, O Dia, Meia Hora e Campeão, a Ejesa pediu sua desfiliação da ANJ por considerar que a associação não respeita o que prega. O grupo editorial reafirmou que “apóia de forma incondicional toda e qualquer ação que vise assegurar a manifestação do pensamento, a criação, a expressão, a educação e o livre fluxo informativo”.
A revolta da Ejesa se deve a perseguição implacável que a ANJ lhe moveu pedindo ao Ministério Público que investigasse a origem do capital da empresa, que feriria o limite de 30% de capital estrangeiro autorizado no controle dos meios de comunicação no Brasil. A ANJ acusou o grupo de ter capital português. O jornal jáacusou a ANJ de defender os interesses das Organizações Globo e da Folha de S.Paulo.
A Ejesa se disse vítima de denúncias inverídicas e afirmou em nota que “para esclarecer a sua composição acionária e a sua legalidade, a análise de documentos societários que se encontram devidamente registrados na Junta Comercial seria o suficiente.”
Não entro nessa disputa e se existisse alguma irregularidade deveria mesmo ser punida. Mas a atitude da ANJ não foi de defesa da lei e sim diante da ameaça de um novo concorrente que podia alterar a “ordem natural” da coisas na imprensa brasileira.
A ANJ precisa antes olhar o que seus integrantes fizeram. O Globo burlou a legislação brasileira no notório acordo com o grupo norte-americano Time-Life, em 1962, que proporcionou a Roberto Marinho o acesso a cerca de US$ 6 milhões e ao grupo norte-americano 30% dos lucros da TV Globo, o que era proibido pela Constituição. Com esse capital, foi montada toda a infra-estrutura da TV Globo, e o Time-Life passou a ter influência direta na emissora brasileira, inclusive com um ex-diretor seu, Joseph Wallace, assumindo o cargo de diretor-executivo.
A desfiliação da Ejesa expõe a hipocrisia de uma organização que só quer liberdade para si e para seus arautos. A livre concorrência e a presença multinacional é para todos os outros setores, menos para o seu.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
PATRIMÔNIO DE SERRA SALTOU DE R$ 873 MIL PARA R$ 1,42 MILHÃO, ISSO SÓ EM 4 ANOS. SERÁ QUE A VEJA VAI INVESTIGAR?
A passagem de 3 anos e 3 meses pelo governo de São Paulo, com casa, comida, roupa lavada, e SerraCARD (cartão corporativo) do Palácio dos Bandeirantes, fez bem para a poupança de José Serra (PSDB/SP).
Nas eleições de 2006, o demo-tucano declarou ao TSE um patrimônio de R$ 872.893,62.
Quatro anos depois, agora em 2010, declarou R$ 1.421.254,87.
O patrimônio engordou R$ 548.361,25, um aumento de 63%.
José Serra continua sem declarar sua mansão, onde mora em São Paulo, na Rua Antonio Gouveia Giudice.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
A REDE GLOBO TORCE CONTRA O BRASIL!

A GLOBO TORCE A FAVOR DA ARGENTINA
A Rede Globo rebateu as críticas recebidas por internautas, que encamparam um movimento a favor de Dunga, técnico da seleção brasileira, nesta terça-feira (22).
Hoje, circula um e-mail convocando os internautas a apoiar o técnico da seleção brasileira. “Replique esta mensagem aos amigos!”, exclama o texto.
“A TV Globo está realizando uma campanha covarde contra o técnico Dunga, desde que ele cortou os privilégios da emissora na cobertura da seleção.”
Em nota divulgada à Folha, a maior emissora do país rechaçou qualquer campanha contrária à seleção. “O único movimento do qual a TV Globo faz parte é de torcida pela seleção brasileira”, afirma a emissora.
“No mais, queremos apenas que nossos profissionais sejam tratados com o mesmo respeito com que desempenham seu trabalho.”
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Patologia de um Fantoche
O ex-cineasta Arnaldo Jabor sempre aparece na calada da noite para assustar crianças e democratas com seus olhos e raciocínios esbugalhados. Medo.
Mais feio é o que ele escreve. Ao observar a patologia de suas dejeções literárias, ficam evidentes o oportunismo e a escatologia ideológica desse cidadão.
Do alto de seu ego, em vez de pular e suicidar-se, investe numa retórica de inegável pobreza estilística. Sua literatura arrogante é indigna de reacionários limpinhos como Nelson Rodrigues ou alucinados geniais como Glauber Rocha.
Sem pudor, o Arnaldo limpa os pés nos capachos dos palácios e outorga-se lucidez num país de dementes. Joga suas fichas ensebadas na provocação barata, na autopromoção compulsiva, no servilismo explícito.
Ele sempre encontra um jeito de puxar o saco dos barões e baronetes. FHC, Collor, Serra, Bush, Reagan. Até PC Farias esse homem defendeu. Menos o Lula, parabéns.
Arnaldo somatiza a doença da adesão incondicional ao poder econômico. Em seu maniqueísmo, que alterna forças das trevas e anjos neoliberais, o que não for tucano é lixo, espantalho, judas.
Uiva delírios paranoicos e destila rancor contra quem tenha um projeto para o Brasil diferente do genocídio promovido pelas elites brancas.
Faz de conta que seus aliados não são o que o Brasil formou de mais perverso, arcaico e malévolo nas últimas décadas.
Mártir de si mesmo, Arnaldo morre de medo de perder o emprego que lhe restou. Não há por que se preocupar. Sempre haverá espaço para os escribas do templo que exalem elogios subalternos e lambam as feridas que o poder produz.
PS: Se alguém achou esse post pesado, grosseiro ou sem noção, um conselho: imagine o Jabor lendo isto na TV. No fundo, no fundo, estou prestando uma homenagem. Do provocador
O ex-cineasta Arnaldo Jabor sempre aparece na calada da noite para assustar crianças e democratas com seus olhos e raciocínios esbugalhados. Medo.
Mais feio é o que ele escreve. Ao observar a patologia de suas dejeções literárias, ficam evidentes o oportunismo e a escatologia ideológica desse cidadão.
Do alto de seu ego, em vez de pular e suicidar-se, investe numa retórica de inegável pobreza estilística. Sua literatura arrogante é indigna de reacionários limpinhos como Nelson Rodrigues ou alucinados geniais como Glauber Rocha.
Sem pudor, o Arnaldo limpa os pés nos capachos dos palácios e outorga-se lucidez num país de dementes. Joga suas fichas ensebadas na provocação barata, na autopromoção compulsiva, no servilismo explícito.
Ele sempre encontra um jeito de puxar o saco dos barões e baronetes. FHC, Collor, Serra, Bush, Reagan. Até PC Farias esse homem defendeu. Menos o Lula, parabéns.
Arnaldo somatiza a doença da adesão incondicional ao poder econômico. Em seu maniqueísmo, que alterna forças das trevas e anjos neoliberais, o que não for tucano é lixo, espantalho, judas.
Uiva delírios paranoicos e destila rancor contra quem tenha um projeto para o Brasil diferente do genocídio promovido pelas elites brancas.
Faz de conta que seus aliados não são o que o Brasil formou de mais perverso, arcaico e malévolo nas últimas décadas.
Mártir de si mesmo, Arnaldo morre de medo de perder o emprego que lhe restou. Não há por que se preocupar. Sempre haverá espaço para os escribas do templo que exalem elogios subalternos e lambam as feridas que o poder produz.
PS: Se alguém achou esse post pesado, grosseiro ou sem noção, um conselho: imagine o Jabor lendo isto na TV. No fundo, no fundo, estou prestando uma homenagem. Do provocador
domingo, 9 de maio de 2010
Depois do Quarto, surge agora o Quinto Poder
| Depois do Quarto, surge agora o Quinto Poder. |
| Carlos Castilho |
O batismo oficial no novo jargão aconteceu esta semana em São Petersburgo,
na Florida, Estados Unidos durante uma conferência de dois dias entre blogueiros autônomos, especialistas universitários, gurus da internet, empreendedores virtuais e jornalistas profissionais.
A imprensa tradicional, tida como um quarto poder por sua enorme influência na área nacional dominada pelos três outros poderes (executivo, legislativo, judiciário), tem agora ao seu lado um eclético e emergente quinto poder, formado pelos novos protagonistas da comunicação digital.
Esta é a segunda versão da Sense Makers Conference (literalmente Conferência dos que Criam Sentido) [1], uma reunião destinada a debater as novas tendências na comunicação, a partir de contribuições tanto de especialistas como dos chamadospractitioners [2]. O evento é patrocinado pelo Instituto Poynter e na sua versão 2010 contou com 26 participantes.
Ao contrário dos outros quatro poderes, o novo “poder” não é uma instituição formal, e provavelmente nunca o será, mas um aglomerado cuja marca registrada parece ser o ecletismo dos participantes, a forma quase caótica como se eles se agrupam e a agenda pouco convencional, em termos jornalísticos.
O que estamos assistindo é a emergência de um novo ator dentro da arena da comunicação pública e que pode vir a disputar espaços com a mídia convencional. Se o Quarto Poder era conformado basicamente pelas empresas e indústrias ligadas a produção jornalística, o Quinto Poder seria um aglomerado difuso dos novos produtores independentes de notícias e informações.
Um dos temas mais discutidos em São Petersburgo foi a ausência de objetividadee o caráter militante de blogs, twiters e sites comunitários que não ocultam suas opiniões e nem preferências políticas, contrariando as normas do jornalismo profissional.
Consultando os blogs e twiters do participantes é possível verificar que eles colocam a questão da objetividade num contexto especifico. Ela estaria na avaliação do conjunto de perspectivas expressas na diversidade de plataformas digitais de notícias e não compactadas num único veículo, como se propõe a imprensa. A objetividade não seria mais uma responsabilidade dos jornais, mas uma tarefa do leitor.
Só aí já temos muito pano para manga porque se de um lado temos o Quarto Poder reivindicando uma posição privilegiada na definição do que é verdadeiro ou falso, do outro temos uma situação inédita em matéria de certificação de credibilidade, causada pela avalancha de informações produzidas pelos blogs, por exemplo.
Tecnicamente seria muito difícil sintetizar milhões de percepções diferentes numa única. Até mesmo os jornais reconhecem esta dificuldade quando criaram o recurso de ouvir os dois lados de um problema. Só que hoje há muito mais do que dois lados e é praticamente impossível um veículo processar todas as versões que circulam na web.
A realidade está mostrando que a alegada objetividade e isenção da imprensa é cada vez menos viável, mas em compensação também não fornece elementos mínimos para estimar o grau de dificuldade que o público terá para peneirar o conteúdo de tantos blogs, twitters, chats, fóruns, listas de discussão e páginas web.
A certificação de credibilidade é um dos grandes desafios da comunicação na era digital. Em questões mais simples, como o comércio eletrônico, ela já está funcionamento bem com base nos chamados sistemas de reputação. Mas para áreas mais complexas como a da informação jornalística, o sistema ainda é sujeito a falhas. A nova alternativa são os algoritmos de autoridade, microsoftwares apoiados em leis da estatística e probabilidade, que já servem de base para os sistemas de reputação.
Ambos ainda são possibilidades, o que deixa muito espaço para a grande conversa entre o quarto e o quinto “poderes”.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
MAIS UM 'TITANIC' NAUFRAGOU!

Globo tira do ar jingle dos 45 anos
A TV Globo tirou do ar o jingle da comemoração dos 45 anos da emissora, veiculado desde ontem à noite. Em nota, a emissora afirma que o filme foi criado em novembro de 2009, quando “não existiam nem candidaturas muito menos slogans”.
“Qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada”, diz nota da Central Globo de Comunicação. “Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme.
A página da emissora que mostrava a propaganda também saiu do ar. Quem clica nela recebe a seguinte informação: página não encontrada.
A medida acontece logo depois de integrantes da pré-campanha da petista Dilma Rousseff criticaram a propaganda.
Na avaliação de Marcelo Branco, um dos responsáveis pela campanha de Dilma na internet, o jingle embute, de forma disfarçada, propaganda favorável ao tucano José Serra.
“Eu e toda a rede [vimos essa alusão]“, escreveu Branco no Twitter em resposta ao comentário de que estaria enxergando na peça mensagem subliminar de apoio ao tucano.
De acordo com Branco, que corrobora tese difundida em sites de apoio ao PT, a mensagem estaria embutida no “45″, o número do PSDB, e em frases do jingle como “todos queremos mais”, o que seria, de acordo com os petistas, referência ao slogan “o Brasil pode mais” dito por Serra no lançamento de sua pré-candidatura.
Em seu blog, o secretário de Comunicação do PT, André Vargas, escreve: “Denúncia: Lema de Serra “inspira” jingle da Rede Globo
No jingle aparecem atores, jornalistas e apresentadores da emissora comemorando os 45 anos da TV, que serão completados na próxima segunda feira.
Em determinado trecho da peça, os atores falam: “Todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil? Muito mais.”
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O PIG GLOBALIZADO: ATÉ AS MANCHETES IGUAIS
Manchetes de hoje.
Da Folha:
Obama ignora Lula e pede sanções imediatas ao Irã
Do Estadão:
Obama ignora Lula e mantém pressão por sanções ao Irã
Estão encomendando manchetes para o mesmo mancheteiro?
Como Obama evitou a manipulação da mídia
por Luiz Carlos Azenha
Segundo a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, a Folha de S. Paulo acrescentou uma frase ao discurso que ela fez sábado, no ABC paulista.
A notícia que o jornal publicou domingo, a título de “reação do PT” ao lançamento da campanha de José Serra, dizia:
REAÇÃO DO PT
Dilma ironiza e diz que não deixou o país
Em evento marcado pelo PT de última hora para se contrapor ao lançamento de José Serra, Dilma Rousseff disse em São Bernardo do Campo que não trairá o povo brasileiro.
A pré-candidata do PT à Presidência disse que a militância do PT nunca a verá “por aí pedindo que esqueçam’’ o que escreveu (numa alusão ao ex-presidente FHC).
– Eu não fugi da luta e não deixei o Brasil – disse Dilma, numa referência à ditadura militar, quando foi para a clandestinidade enquanto Serra, também opositor ao regime, se exilou no Chile.
O ato, do qual participou o presidente Lula, aconteceu no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, berço político do PT.
O evento foi explicado como o lançamento de uma pesquisa sobre emprego e qualificação profissional, com um debate de Lula e Dilma sobre o tema. Os discursos tinham como alvo o governo de Serra em São Paulo e a gestão do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso.
No twitter de sua campanha, no entanto, a candidata diz que nunca se referiu ao exílio, nem falou a frase “não deixei o Brasil”.
Afirma ter enviado uma carta ao jornal.
E dá o link do discurso, que está aqui.
Ou seja, a Folha acrescentou à manchete uma afirmação que Dilma não fez. No discurso a candidata não fala em exílio, nem em sua não saída do Brasil.
Pode ter sido um simples erro do repórter. Ou má fé.
No entanto, esses “erros” adquirem na mídia uma dinâmica própria.
Porque os jornais “repercutem” seus próprios textos, ainda que estejam errados.
E os ouvidos pelo jornal partem do pressuposto de que o que foi publicado expressa a verdade. Portanto, quando um repórter da Folha foi ouvir o Plínio de Arruda Sampaio, por exemplo, a respeito das declarações da pré-candidata petista, não mostrou a Plínio a íntegra do discurso, nem o vídeo, nem o áudio. Mostrou o que o jornal publicou, ainda que o conteúdo tenha sido distorcido de boa ou má fé.
Por conta disso, por exemplo, o Estadão repercutiu, acrescentando que Dilma teria dito uma frase “sobre exilados”, quando ela não se referiu a exilados no discurso.
Frase de Dilma sobre exilados gera polêmica com adversários políticos
Serra e Marina comentaram as palavras da ex-ministra, que disse que ‘apanha’ mas ‘não foge’
12 de abril de 2010 | 13h 19
estadão.com.br
Em entrevista à rádio Jovem Pan concedida nesta manhã, o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, respondeu à colocação feita pela candidata do PT, Dilma Rousseff, em evento no ABC paulista neste sábado, 10, e lembrou que vários políticos de diversos partidos se exilaram durante a ditadura militar (1964-1985) para evitar a prisão.
Como exemplo, Serra citou o ex-governador de Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, Leonel Brizola, fundador o PDT, partido da Dilma Rousseff antes dela ingressar no PT, que permaneceu no exílio por mais de uma década.
No sábado, em evento ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a pré-candidata do PT disse que pode “apanhar”, mas não “foge da luta”. A frase foi interpretada como uma provocação a Serra, que viveu diversos anos no exílio durante a ditadura. “Eu não fujo da situação quando ela fica difícil. Eu posso apanhar, ser maltrada, como eu já fui, mas não fujo da luta. Em cada época da minha vida, eu fiz o que fiz porque acreditava naquilo. Eu mudei quando o Brasil mudou. Eu não fujo da luta. Nunca abandonei o barco”, disse a ex-ministra na ocasião.
Nesta segunda-feira, 12, a pré-candidata do PT se retratou e disse, através de seu recém-inaugurado Twitter, que não pretendeu em momento algum criticar os exilados. “De onde tiraram que fugir da luta é se exilar? O exílio significou a diferença entre a vida e a morte para os exilados brasileiros”, disse Dilma em um post. “Grandes amigos meus corajosos e valorosos só tiveram uma saída na ditadura, se exilar. Querer dizer que eu os critiquei só pode ser má fé”, acrescentou a ex-ministra no post seguinte.
Mais tarde, a assessoria de imprensa da pré-candidata do PT negou, em nota, que ela tenha feito referência, no discurso de sábado, a brasileiros que se exilaram no exterior durante a ditadura militar.
Oposição
A frase de Dilma também causou polêmica entre políticos de outros partidos. A pré-candidata do PV, Marina Silva, comentou a frase de Dilma e afirmou que “os exilados não são fugitivos”. A senadora disse que as pessoas que deixaram o País durante o regime de exceção “agiram em legitima defesa” e “continuaram sua luta fora do Brasil”. “Inclusive trouxeram novos ares, como Gabeira, na luta pelo meio ambiente”, concluiu, citando o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ).
Por sua vez, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, divulgou nesta manhã uma nota de repúdio às declarações da candidata do PT. No texto, Freire compara a declaração de Dilma às do general Leônidas Pires Gonçalves, que chefiou o DOI-CODI durante o regime de exceção e se referia aos exilados como fugitivos.
“Essa distorção infame do general contra os brasileiros que lutavam contra o regime ditatorial de 1964 e que tiveram que se exilar não jamais poderia servir de mote para a insensatez de Dilma Roussef”, disse Freire. Na nota, o PPS presta solidariedade aos exilados, “que eram milhares” e que “viveram dias amargos longe da pátria, sem poder voltar”.
E o assunto ganhou pernas, merecendo inclusive uma nota de desagravo do PPS, que avançou mais algumas casas, dizendo que Dilma “chamou a todos de fugitivos”.
Nota de desagravo
O PPS, herdeiro das mais dignas tradições do PCB, vem a público em defesa de todos os exilados brasileiros, obrigados a deixar o país durante a ditadura militar. Ao mesmo tempo, repudia as acusações feitas pela candidata do PT, Dilma Roussef, que os chamou a todos de fugitivos.
Ao tachá-los com tal adjetivo, Dilma nada mais fez do que se igualar ao general Leônidas Pires Gonçalves, que na ditadura, durante um bom período de tempo, ocupou o cargo de chefe do Estado Maior do Terceiro Exército, no Rio. Cabia a ele dirigir o DOI-CODI, o famigerado Destacamento de Operações e Informações do Centro de Defesa Interna.
Como a candidata do PT, o general Leônidas chamou de fugitivos aqueles que se exilaram. Ele disse isso durante entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto e exibido pela Globo News. Essa distorção infame do general contra os brasileiros que lutavam contra o regime ditatorial de 1964 e que tiveram que se exilar jamais poderia servir de mote para a insensatez de Dilma Roussef.
Não são poucos os desagravados. Entre eles podemos citar Leonel Brizola, Miguel Arraes, Luiz Carlos Prestes, Gregório Bezerra,Francisco Julião, Apolônio de Carvalho, Plínio de Arruda Sampaio, Almino Afonso, Gilberto Gil, Caetano, Fernando Henrique Cardoso, Betinho, José Serra a quase totalidade dos membros do Comitê Central do PCB na década de 70 que conseguiram salvar suas vidas ao partir para o exílio. Citamos alguns; são milhares!
Não bastou a declaração do Presidente Lula ao comparar o preso político Orlando Zapata Tamoyo, que morreu numa greve de fome em Cuba, com bandidos das nossas cadeias. Logo vem outra sandice, desta vez para macular a luta dos brasileiros exilados.
Nossa solidariedade com todos os que se exilaram e viveram dias amargos longe da pátria, sem poder voltar.
Principalmente com os que já se foram. Honra aos exilados brasileiros que fazem parte da nossa história de luta pelos direitos humanos e pela Liberdade.
Roberto Freire – Presidente Nacional do PPS
Brasília, 12 de abril de 2010.
No entanto, o próprio Estadão reproduziu a íntegra do discurso de Dilma Rousseff:
Leia abaixo a íntegra do discurso de Dilma Rousseff em evento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, neste sábado, 10 de abril
“Companheiros e Companheiras do ABC,
Estou aqui hoje e quero aproveitar este momento para me identificar com maior clareza. Os da oposição precisam dizer quem são. Vocês sabem quem eu sou, e vão saber ainda mais. O que eu fiz, o que planejo fazer e, uma coisa muito importante, o que eu não faço de jeito nenhum. Por isso gostaria de dizer que:
1 Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco.
2 Eu não sou de esmorecer. Vocês não me verão entregando os pontos, desistindo, jogando a toalha. Vou lutar até o fim por aquilo em que acredito. Estarei velhinha, ao lado dos meus netos, mas lutando sempre pelos meus princípios. Por um País desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático;
3 Eu não apelo. Vocês não verão Dilma Rousseff usando métodos desonestos e eticamente condenáveis para ganhar ou vencer. Não me verão usando mercenários para caluniar e difamar adversários. Não me verão fazendo ou permitindo que meus seguidores cometam ataques pessoais a ninguém. Minhas críticas serão duras, mas serão políticas e civilizadas. Mesmo que eu seja alvo de ataques difamantes.
4 Eu não traio o povo brasileiro. Tudo o que eu fiz em política sempre foi em defesa do povo brasileiro. Eu nunca traí os interesses e os direitos do povo. E nunca trairei. Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que afirmei ou escrevi. O povo brasleiro é a minha bússola. A eles dedico meu maior esforço. É por eles que qualquer sacrifício vale a pena.
5 Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja. Não vou destruir o estado, diminuindo seu papel a ponto de tornar-se omisso e inexistente. Não permitirei, se tiver forças para isto, que o patrimônio nacional, representado por suas riquezas naturais e suas empresas públicas, seja dilapidado e partido em pedaços . O estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro.
6 Eu respeito os movimenos sociais. Esteja onde estiver, respeitarei sempre os movimentos sociais, o movimento sindical, as organizações independentes do povo. Farei isso porque entendo que os movimentos sociais são a base de uma sociedade verdadeiramente democrática. Defendo com unhas e dentes a democracia representativa e vejo nela uma das mais importantes conquistas da humanidade. Tendo passado tudo o que passei justamente pela falta de liberdade e por estar lutando pela liberdade, valorizo e defenderei a democracia. Defendo também que democracia é voto, é opinião. Mas democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder. A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos.
Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos.
Companheiras e companheiros,
Aquele país triste, da estagnação e do desemprego, ficou pra trás. O povo brasileiro não quer esse passado de volta.
Acabou o tempo dos exterminadores de emprego, dos exterminadores de futuro. O tempo agora é dos criadores de emprego, dos criadores de futuro.
Porque, hoje, o Brasil é um país que sabe o quer, sabe aonde quer chegar e conhece o caminho. É o caminho que Lula nos mostrou e por ele vamos prosseguir. Avançando.
Com a força do povo e a graça de Deus.”
Basta ler o texto para comprovar que Dilma não falou “que não deixou o país”, como diz a manchete da Folha; que nada falou sobre “exilados”, como diz a manchete do Estadão; que não chamou “a todos de fugitivos”, como diz a nota do PPS.
Mas a Folha, ao repercutir seu próprio erro, induziu os entrevistados a acreditar que Dilma disse o que não disse:
Crítica de Dilma a exilados causa polêmica
Opositores e aliados rebatem declaração de ex-ministra de que não “fugiu” à luta contra a ditadura, que visava atingir Serra
Oposicionistas e até aliados ao governo condenaram ontem a declaração da pré-candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff, que, na tentativa de atingir seu opositor José Serra (PSDB), criticou militantes de esquerda que optaram pelo exílio durante a ditadura militar.
“Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta”, disse ela, em referência à ditadura, quando foi para a clandestinidade. Serra, também opositor ao regime militar, se exilou no Chile.
“Dilma cometeu uma insensatez igual à de Lula, quando ele comparou preso político a bandido ao falar sobre Cuba”, disse Roberto Freire, presidente do PPS. “Miguel Arraes, Luis Carlos Prestes, Apolonio de Carvalho, João Goulart, José Dirceu… Então todos eles foram fugitivos?”, questionou Freire, que apoia a candidatura de Serra e disse estar organizando um “ato de desagravo aos exilados”.
O pré-candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, um dos fundadores do PT, reagiu com indignação à fala: “É uma frase aloprada de quem nunca disputou eleição”.
Sampaio, que também foi exilado no Chile, acrescentou: “Eu me sinto contente a respeito do meu passado. Não tenho nenhum tipo de ressentimento e tenho orgulho de ter sido exilado, de ter sido cassado”.
A deputada Jô Morais (PC do B-MG), que apoia Dilma, afirmou que “foi um equívoco” pois a saída de alguns brasileiros do país foi importante para a própria sobrevivência da ministra, presa durante o regime.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que o comentário de Dilma foi feito há poucos dias pelo general Leônidas Pires Gonçalves, que foi chefe do DOI-Codi e ministro do Exército do governo Sarney (1985-1990).
“É incrível o desrespeito dela. Parafraseando o Romário, ela calada é uma poeta.” Em recente entrevista, o general classificou de “fugitivos” o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e demais exilados, pois “ninguém estava sendo preso impunemente”.
Finalmente, o blogueiro Ricardo Noblat “descobriu” que o discurso de Dilma foi resultado de uma espécie de conspiração envolvendo Emir Sader e Paulo Henrique Amorim e uma teia maligna de blogueiros. É a versão Dilma, incapaz de ter ideias proprias, manipulada pelo eixo do mal:
Ação para prejudicar Serra se voltou contra Dilma
Por que a ex-ministra Dilma Rousseff, candidata à sucessão de Lula, disse no último sábado, em São Bernardo do Campo, que “não foge à luta”?
Ela é quem sabe.
Por que prosperou a interpretação de que ela tinha se referido indiretamente a José Serra e a outros brasileiros que se exilaram durante a ditadura?
Aí é fácil explicar.
No dia 26 de setembro do ano passado, em artigo publicado no site da agência Carta Maior sob o título “Duas trajetórias distintas”, o professor Emir Sader, eleitor de Dilma e fervoroso defensor do governo Lula, escreveu:
“Nas horas mais difíceis se revela a personalidade – as forças e as fraquezas – de cada um.
(…) No Brasil também, na hora negra da ditadura militar, formos todos testados na nossa firmeza na decisão de lutar contra a ditadura, entre aderir ao regime surgido do golpe, tentar ficar alheios a todas as brutalidades que sucediam ou somar-se à resistência. Poderíamos olhar para trás, para saber onde estava cada um naquele período.
Dois personagens que aparecem como pré-candidatos à presidência são casos opostos de comportamento e daí podemos julgar seu caráter, exatamente no momento mais difícil, quando não era possível esconder seus comportamentos, sua personalidade, sua coragem para enfrentar dificuldades, seus valores.
José Serra era dirigente estudantil, tinha sido presidente do Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia da USP. Já com aquela ânsia de poder que seguiu caracterizando-o por toda a vida, brigou duramente até conseguir ser presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, com os mesmos meios de não se deter diante de nada, chegou a ser presidente da UNE.
Com esse cargo participou do comício da Central do Brasil, em março de 1964, poucas semanas antes do golpe. Nesse evento, foi mais radical do que todos os que discursaram, não apenas de Jango, mas de Miguel Arraes e mesmo de Leonel Brizola.
No dia do golpe, poucos dias depois, da mesma forma que as outras organizações de massa, a UNE, por seu presidente, decretou greve geral. Esperava-se que iria comandar o processo de resistência estudantil, a partir do cargo pelo qual havia lutado tanto e para o qual havia sido eleito.
No entanto, Serra saiu do Brasil no primeiro grupo de pessoas que abandonou o país. Deixou abandonada a UNE, abandonou a luta de resistência dos estudantes contra a ditadura, abandonou o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes. Essa a atitude de Serra diante da primeira adversidade.
(…) Outra personalidade que aparece como pré-candidata à presidência também teve que reagir diante das circunstâncias do golpe militar e da ditadura. Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas, que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar.”
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O artigo de Sader foi reproduzido pelo blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, adversário ferrenho da candidatura Serra. Em seguida foi citado em artigo publicado no blog do ex-ministro José Dirceu. E desde então clonado pela imensa teia de blogs e de sites que apóiam o governo e a candidatura de Dilma.
Se Dilma leu o artigo, se se lembrou dele ao afirmar que não foge à luta, somente ela pode dizer. E ela disse que sua referência a não fugir à luta nada teve a ver com aqueles que se exilaram.
Mas sem dúvida havia uma ação de desconstrução da imagem de Serra na internet. E essa ação se aproveitou do que disse Dilma. Tanto que celebrou com euforia o que ela disse.
O que foi péssimo para a imagem dela.
É longa a lista dos brasileiros ilustres que, ameaçados pela ditadura, buscaram refúgio no exterior. Vai de Miguel Arraes, Leonel Brizola e João Goulart a Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso e Ferreira Gullar, por exemplo.
A ação para ajudar Dilma acabou por prejudicá-la.
Portanto, vejam o que uma distorção, de boa ou má fé, ajudou a gerar. A solução, que serve para todos os candidatos, me parece estar na tática adotada pela campanha de Barack Obama, nos Estados Unidos, diante da máquina de moer carne dos republicanos. Acompanhei de perto aquela campanha.
Trata-se de montar uma rede para transmitir online, ao vivo, todos os eventos de campanha. Assim, um grupo ainda que reduzido de internautas terá capacidade de se antecipar às manipulações e distorções e às frases tiradas de contexto.
O eleitor que viu o evento na internet será o primeiro a cotejar o que assistiu com o que saiu no jornal no dia seguinte. Ou comparar o que viu com as edições feitas nas emissoras de rádio e de televisão.
Além disso, as assessorias dos candidatos devem divulgar por escrito os discursos na íntegra, pela internet, permitindo que as pessoas que serão mais tarde ouvidas por repórteres, para “repercutir”, tenham acesso antecipado ao que de fato disse o candidato.
Finalmente, as assessorias devem postar os vídeos de eventos e entrevistas no You Tube, no Vimeo ou outros sites, para posterior comprovação das distorções, manipulações ou erros.





