TVT A TV DOS TRABALHADORES, OUSAR PARA MUDAR
Valter Sanches, diretor de Comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos e presidente da Fundação Sociedade Cultura e Trabalho, entidade responsável pela TVT, conversou, na manhã de hoje, com alguns midialivristas e blogueiros.
Compartilho os pontos que me pareceram mais interessantes.
1) Chama a atenção no projeto o fato de as preocupações não se aterem apenas a aspectos comerciais e tecnológicos. Diria que há uma preocupação filosófica bastante antenada com o novo mundo onde colaboração e reputação se tornaram palavras chaves. Ou seja, a TVT está falando em introduzir um novo modelo de fazer TV no Brasil.
A TVT, por exemplo, vai levar ao ar conteúdos produzidos a partir de celulares e máquinas fotográficas. E para que isso não se limite à produção espontânea, adquiriu e entregou oito câmeras a grupos do movimento social. Além de cinco celulares 3G que ficarão com trabalhadores que estão no chão da fábrica.
2) A grade própria vai ocupar 1h30 ao dia no início. O resto do tempo será da TV Brasil. A faixa ocupada será a das 19h às 21h, ou seja, o horário nobre. A TVT será distribuída pelo canal 46 UHF, mas já fechou um acordo com a NGT, canal 48, que das 19h às 21h também divulgará o conteúdo da TVT. Além da concessão do canal 46, já foram solicitadas 26 retransmissoras no estado de São Paulo.
3) Além de um telejornal diário de 30 minutos, outros sete programas irão ao ar nesses primeiros meses. São eles: Melhor e mais justo (debates); Bom para todos (serviços e direitos); ABCD Maior em revista (realizado pela equipe do jornal de mesmo nome e com foco na região do ABC); Boa Gente (destacando um entrevistado que dedique boa parte da sua vida à uma questão pública); Coopera Brasil (economia solidária); Click e Ligue (voltado para o desenvolvimento de redes sociais) e Memória e Conteúdo (que a partir de um banco de imagens de 4 mil horas produzidas pela TVT desde 1984 vai debater questões do país).
4) A TVT entre trabalhadores fixos e colaboradores já conta com aproximadamente 100 pessoas e um orçamento mensal de 400 mil reais. Como para conseguir a concessão foi necessário fazer um aporte de 15 milhões, a TVT tem assegurada recursos para aproximadamente 3 anos.
5) A idéia de Valter Sanches é tornar a TVT uma agenciadora de notícias e com ela criar um novo modelo de lojistica de produção, que modificaria a lógica da difusão informativa no Brasil. Até por isso a TVT já nascerá com uma plataforma web altamente colaborativa. Os telespectadores poderão, por exemplo, postar comentários sobre os programas em vídeo e não só em textos escritos. Além disso, vão eleger imagens e vídeos que irão ao ar no telejornal e em outros programas e poderão assistir e participar remotamente da discussão de pauta dos programas.
O lançamento da TVT será no dia 13 de agosto, no Centro de Formação dos Professores, em São Bernardo do Campo. O presidente Lula já confirmou presença. É ele quem vai apertar o botão que vai colocar a TV no ar. Além dos Sindicato dos Metalúrgicos de SBC, participam da Fundação que gere a TVT o Sindicato dos Bancários de SP também o do ABC, o Sindicato dos Químicos e a Apeoesp, entre outros.
Este blogueiro está fazendo figas para que de fato a TVT signifique um cavalo de pau na lógica de fazer TV no Brasil. Nem uma TV Lixo, com programas apelativos e caça-audiência, e nem uma TV Daslu, cheia de gente bonita falando de coisas que só se prestam a vender produtos. Uma TV cidadã.
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