Espreme que sai SANGUE
O jornalismo impresso se acha. Principalmente as revistas semanais de informação. Como elas não são açoitadas pela urgência do tempo, fazem pose de que entregam um produto mais bem elaborado.
Sempre que podem (a cada sete dias, portanto), praticam o esporte de dar bordoadas no sensacionalismo da TV. Aquele mesmo que criticamos aqui neste blog.
Mas péra lá! Essa conversinha dos revisteiros é muito mole. Cara de pau. Pois respirem fundo e abram a Veja, a IstoÉ e a Época desta semana. Antes, retirem as crianças da sala.
Duvido que o leitor consiga tomar o café da manhã olhando para a sucessão de horrores que desfilam por aquelas páginas.
O Haiti tem nos obrigado a ver cenas devastadoras. Muitas delas vão permanecer por um bom tempo em nossas memórias. É muito sofrimento. Uma tragédia.
É realmente tentador apostar em imagens apelativas, fortes, impactantes. Elas alavancam audiências. E vendem jornais e revistas.
Pois bem. As semanais todas promoveram uma verdadeira carnificina. Um festival de sofrimento, escombros e mutilados.
Na Veja, um homem caminha sobre um “tapete de mortos”. Um “corpo abandonado da menina, com as ruínas de uma igreja ao fundo: ninguém sobrou para chorá-la”. Quem escreve um troço desses?
Uma outra foto terrível arrebenta em páginas duplas. Precisa ser muito dolorosa para merecer tanto destaque. Tem quem ser chocante, desesperadora. Tem que vender.
O mesmo mau gosto, a mesma rapinagem se repete, em graus distintos de competência, na Época e na IstoÉ. E se repete tanto que as revistas da Abril e da Globo têm a mesmíssima foto na capa. Claro, os editores devem se achar igualmente sábios e requintados.
Mas eles só fazem o serviçinho de sempre. Vendem papel. Cobertos de sangue. E se julgam elegantes e sérios. E se vangloriam de ter mais credibilidade. Sei.
Eles adoram apontar o sensacionalismo da TV. E se esquecem deles mesmos, a imprensa marrom e suas páginas vermelhas, ensanguentadas.
Mas calma, pessoal. Na próxima edição, eles nos trarão uma nova dieta de emagrecimento. Ninguém é de ferro. E a vida continua. Aqui, em Angra dos Reis, em São Luis do Paraitinga, no Jardim Pantanal.
E no Haiti.
Nenhum comentário:
Postar um comentário